Uma grande análise de exames cerebrais identificou um possível padrão biológico associado aos transtornos de ansiedade: pessoas com ansiedade apresentaram níveis mais baixos de compostos de colina em regiões importantes do cérebro, especialmente no córtex pré frontal.
A colina é um nutriente essencial para o funcionamento cerebral. Ela participa da comunicação entre neurônios, da formação das membranas das células nervosas e de processos ligados à memória, atenção e regulação emocional.
Os pesquisadores analisaram dezenas de estudos com espectroscopia por ressonância magnética, uma técnica capaz de avaliar substâncias químicas presentes no cérebro. O resultado mostrou uma redução consistente desses compostos relacionados à colina em pessoas com transtornos de ansiedade, independentemente do tipo específico de ansiedade avaliado.
O achado foi mais evidente no córtex pré frontal, região responsável pelo controle emocional, tomada de decisões, organização dos pensamentos e modulação das respostas ao estresse.
Isso ajuda a entender por que a ansiedade pode afetar tanto a capacidade de controlar pensamentos repetitivos, preocupações excessivas, impulsos emocionais e sensação constante de alerta. Em muitos casos, o cérebro permanece em um estado de hiperativação contínua.
Os autores sugerem que esse estado persistente de tensão e ativação cerebral pode aumentar a demanda metabólica do cérebro, alterando o equilíbrio de substâncias importantes para o funcionamento neuronal, incluindo os compostos relacionados à colina.
Outro ponto importante observado no estudo é que a alteração não apareceu apenas em uma região isolada, mas em diferentes áreas corticais, sugerindo que a ansiedade pode gerar impactos mais amplos no funcionamento cerebral do que se imaginava anteriormente.
Os pesquisadores também destacam que esses achados não significam que a ansiedade seja causada apenas por deficiência nutricional. A ansiedade é multifatorial e envolve genética, ambiente, experiências de vida, sono, estresse, hábitos e funcionamento cerebral.
Mesmo assim, a descoberta abre espaço para novas pesquisas sobre o papel da nutrição cerebral, metabolismo neuronal e possíveis estratégias complementares no cuidado da saúde mental.
O estudo reforça algo importante: ansiedade não é apenas “emocional”. Ela também envolve alterações reais no funcionamento do cérebro, com impacto direto sobre cognição, comportamento, energia mental e qualidade de vida.
Referência científica
Maddock RJ, Smucny J. Transdiagnostic reduction in cortical choline-containing compounds in anxiety disorders: a 1H-magnetic resonance spectroscopy meta-analysis. Molecular Psychiatry. 2025. doi:10.1038/s41380-025-03206-7.